domingo, 7 de abril de 2013

Trocando Vidas - Capítulo 5



Achei que não conseguiria dormir sabendo que Julian estava ali em outro cômodo, mas me dei conta que adormeci quando acordei e olhei a luz que adentrava pela janela. Abri a porta com cautela e dei uma espiada, no sofá não havia ninguém, fui saindo de vagazinha e logo pus a mão no coração quando Julian disse:
-- Bom dia! – O mesmo estava atrás do balcão cortando alguma coisa com agilidade. Fui me aproximando devagar, Julian parecia um cozinheiro experiente. -- O quê...? – Sussurrei mesmo sem saber oque falar. -- Estou preparando o café da manhã, porque não toma um banho. –  Ele disse apontando a faca em minha direção, meu corpo gelou e ele ficou um pouco surpreso e confuso, até perceber o que havia feito. 

-- Por que tens tanto medo disso? – Julian perguntou voltando a cortar. -- Porque machuca. – Respondi, ele sabia que eu não morreria por algo assim, apenas sangraria muito e ficaria dolorido logo depois e fora a anemia pela perda de sangue, assim como na maioria das vezes. Se me matasse fosse tão fácil eu já teria tirado minha vida há muito tempo atrás. Não que eu queria fazer isso agora, parece que com o tempo a culpa e a solidão não me consomem da forma que fazia antigamente.
Viver trocando de vida, nome e endereço por séculos, apesar das mortes, do sangue sujo em minhas mãos, a tensão não é tão forte quanto a daquele tempo.
 
Fiz o que ele havia dito, tomei um banho, até demorei um tempo, pois pensar que eu estava naquela casa era meio estranho para mim. Me enrolei na toalha que havia pego em um dos armários, e foi quando me dei conta de que não tinha o que vestir.
Três batidas na porta me surpreenderam naquele instante, abri a porta e ele não estava lá, no chão havia uma muda de roupas minhas. Quando ele...?
Não importa, apenas as peguei e me vesti.
O cheiro que vinha da cozinha era tentador e o segui, e Julian estava colocando um prato com panquecas e uma xícara de café. Sentei-me na cadeira começando a devorar, e pude escutar uma pequena risada.

-- O que? – Perguntei ainda de boca cheia.
 -- Não sabia que uma mulher como você poderia comer tanto. –  Julian respondeu tão naturalmente que me fez repensar um pouco sobre seu jeito, talvez ele não fosse um cara mal no qual eu tenho posto em minha mente como um inimigo, se fosse para me matar como disse, porque ainda não o fez? Talvez seja por não saber como ainda? Bom o fato é que agora ele não parece mais o anjo renegado e assustador. Julian se sentou a minha frente e cruzou os braços me observando. 
-- O que foi? Não vai comer...— Me interrompi. 
-- Tudo bem, eu não preciso comer. Só quando quero saber o gosto de algo, não é necessário que eu coma.
-- As vezes eu esqueço que é um anjo irônico e sínico que apareceu na minha vida para me atormentar. – Disse ironicamente.
-- E você uma imortal linda e indefesa. Que até me dá vontade de te devorar. 
-- Olha que posso pensar que é verdade! – Disse rindo.
-- Se quiser posso te devorar agora, mas antes termine seu café para que possamos ir em seu apartamento. – Disse ele levantando da cadeira.
-- Até que você não é tão ruim como eu pensava. – Acabei soltando a frase sem perceber. Mas Julian virou com um de seus sorrisos cafajestes em seu rosto, um sorriso pelo qual eu já esperava e que acabei me acostumando. 
-- E você não é tão lerda assim, agora termine isso! 
Julian desapareceu em direção ao seu quarto, eu acho que estava começando a conhecer um lado de que eu nunca pensei que existiria... AH mas porque estou pensando nisso agora? Terminei o café e lavei a louça encontrei Julian na sala e ele me olhou. 
-- Pronta? – Perguntou.
Assenti com a cabeça. -- E... Obrigado pela roupa.
-- De nada, não queria ver uma mulher feia andando nua pela minha casa. – Julian se levantou e foi em direção a porta.
-- Idiota como sempre. – Respondi. 
-- Podemos dizer que sim.
E lançou novamente aquele sorrisinho. No resto na tarde nos passamos fazendo a mudança das minhas coisas de um apartamento para outro, eram poucas coisas. Então assim que terminamos saímos para comer algo no local aonde eu trabalho, já que hoje eu estava de folga. Julian pediu alguns petiscos para mim e uma bebida lá para ele. Eu queria saber o porquê de Julian ser um anjo renegado, oque foi que ele fez para ganhar esse castigo? E se Julian conhecia realmente o Kain? Será que eram amigos? Não... Kain era bom e puro, não andaria com esse tipo. E mas se... 
--... Alexia! – Julian chamou minha atenção.
-- Oi! -- Você escutou alguma coisa do que eu havia dito? – ele disse um pouco irritado, mas eu podia sentir ele meio que ruborizar, será que era impressão minha?
-- Julian... Você conhecia o Kain? – Acabei perguntando, mas Julian pareceu gelar assim que ouviu minha pergunta, e ficou quieto por um tempo. 
-- Digamos que éramos anjos antes né? – Disse ele, mas parecia que não falaria mais sobre isso. Então desviei o olhar e lá estavam as mesas de sinuca. -- Gosta de jogar sinuca? – Julian perguntou.
-- Na verdade nunca joguei. – respondi meio que desapontada comigo mesma era um desastres nessas coisas então nunca tentara. 
Julian se levantou. – Venha! – Disse me puxando pela mão.
-- Para aonde vamos? -- Não é obvio eu te ensinarei a jogar. Me senti um pouco nervosa enquanto era puxada para uma das mesas disponíveis, a mão de Julian era quente e confortável, parecia encaixar exatamente na minha por mais que fosse grande. Porque me sinto dessa forma em relação a ele? Isso me faz lembrar-se de Kain... Mas não me sinto da mesma forma, dessa vez é diferente, não tem as rosas e as borboletas... Sinto como se meu corpo fosse explodir, esquentando e estremecendo e meu coração disparar? 

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