sábado, 10 de agosto de 2013

Trocando Vidas - Capítulo 6


Julian foi para trás de mim, encostando lentamente seu corpo no meu, sua mão desceu até minha barriga e com delicadeza foi fazendo com que meu tronco fosse para frente, logo em seguida sua outra mão segurou o taco por cima da minha, e depois de ajeitar meu corpo, sua outra mão tomou o rumo da minha outra mão, podia sentir sua respiração em meu pescoço, quente e suave da mesma forma que seu corpo encaixava ao meu e assim ele fez uma tacada certeira e encaçapou a bola, nesse pequeno instante meu corpo estremeceu, mas logo Julian não estava mais sobre mim.
-- E é assim que se faz uma boa tacada, o que acha? – perguntou. Demorei a me recuperar... O que era isso? Parecia que eu estava pegando fogo. -- Preciso de uma bebida. – Respondi. Fui em direção ao balcão em passos ligeiros, afundei no banco.
 – Tonny! Algo forte.

O mesmo assentiu já se apressando.
O que eu estava pensando? Aquele cara está atrás de uma maneira para me matar e eu ainda tenho a coragem de me sentir atraída por ele? Apoiei a cabeça entre minhas mãos, eu precisava ficar calma, pensar nas possibilidades do que ele me dissera... Mas Julian agiu de forma tão gentil mais cedo, estava realmente cuidando de mim.
Tonny colocou o copo a minha frente, dei uma golada só, coloquei na mesa. --Mais! Tonny logo o encheu, isso se repetiu umas seis vezes ou mais já até perdera a conta. -- Ele está perto. – Ele sussurrou e foi atender outros pedidos. Julian sentou-se ao meu lado, apoiou a cabeça em uma das mãos e ficou me fitando, profundamente, como se minha carne fosse algo realmente gostoso? Um bife? O que eu estava pensando, minha cabeça está ficando tonta, eu acho que...
A única coisa que consegui ver foi um sorriso debochado aparecer no rosto de Julian e o resto foi a escuridão.
Acordei olhando ao redor do quarto, eu o reconheci era o quarto dele, de Julian, meus olhos varriam o quarto ainda tontos, a imagem estava um pouco distorcida. A porta se abriu e ele veio em minha direção, sentou ao meu lado na cama. -- Como está? Você é fraca para bebidas, se sabia disso por que bebe? – Julian falava, enquanto eu o encarava vendo eu rosto meio embaçado, comecei a rir e fiquei sentada na cama, mas meu corpo começou a cair para o lado, o que fazia gargalhar, Julian me segurou para que eu não caísse da cama. -- Você ainda está bêbada? – Ele perguntou.
– O que eu faço com você!?
 -- Bêbada? Huh? – Continuei rindo, tudo a minha volta parecia um borrão, meu corpo começou a cair para o outro lado, Julian tentou me pegar, mas acabou caindo por cima de mim, ficamos parados naquela posição por um bom tempo, minha cabeça estava rodando um pouco, mas ainda sim queria verificar se ele estava bravo pelo o que eu fizera. Assim o fiz, segui meus olhos até seu rosto e nossos olhos se encontraram, nesse momento, estremeci, e a única coisa que eu pensei naquele momento era em como nossos rostos estavam tão perto um do outro. Logo em seguida Julian me beijou, um beijo leve, rápido e voltou a me olhar, segurei em seu rosto e o puxei para mim, retribuindo o beijo de forma mais intensa, mas meus lábios estavam um pouco dormentes e aos poucos foi piorando até que vi a escuridão e eu desmaiei.

Abri os olhos e levantei, mas minha cabeça doeu de uma forma que a enterrei entre minhas mãos, o que diabos eu fizera na noite passada? Por que bebi tanto?
 Levantei da cama com dificuldade, se pudesse nem o fazia, mas o barulho da TV que vinha da sala me fez lembrar que eu estava morando com um individuo chamado Julian, o mesmo irritante, esnobe, debochado enfim tudo de ruim que se possa imaginar.
Julian estava jogado no sofá assistindo um canal de luta livre, passei direto para cozinha e a mesa estava pronta, havia pães, café e torradas.
Julian não precisava comer, queria saber o porque faz tanto por mim, já que se me deixasse com fome, não me mataria então para que alimentar sua refém?
Refém as palavras ecoaram em minha mente, não era exatamente assim, no fim eu acabava por ficar aqui por vontade própria, porque se estivesse mesmo disposta a fugir, se eu estivesse mesmo correndo perigo estando ao seu lado, eu já teria arranjado uma fuga há muito tempo. Talvez eu realmente não quisesse deixá-lo de lado.
Meu olhar o alcançou, seus cabelos negros estavam úmidos e seus ombros relaxados.
Eu não quero deixa-lo.
O pensamento me assustou e pus a mão em meus lábios e pude sentir sua presença tão perto, como se seu cheiro estivesse em mim, um arrepio percorreu todo meu corpo.
Talvez seja por dormir em sua cama, eu adquiri o seu cheiro de sabonete doce.


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