A música do Guns N’ Roses de fundo era convidativa, o bar já estava movimentado e as apostam rolavam nas mesas de sinuca. Tonny sentou se a minha frente com uma cara horrível, parecia fraco e bem cansado.
Sem hesitar coloquei minha mão em sua testa e o mesmo estava fervendo, assim fui para o deposito e revirei um armário que havia lá, já estava desistindo de procurar quando encontrei dois comprimidos de algum remédio para febre . Voltei ao balcão e peguei um copo com água e pus a sua frente.
-- Hey, Tonny, tome isso. – disse cutucando sua cabeça. Sem hesitar ele o fez, mas estava agindo um pouco estranho, talvez com medo de mim, ou medo de se sentir vulnerável enfrente a uma mulher? O expediente havia acabado, peguei minhas coisas e sai porta a fora, sentindo aquela brisa se chocar contra meu rosto, fechei os olhos a fim de aproveitar tal sensação, mas assim que os abri encostado em sua moto estava Julian a me encarar do outro lado da rua. Revirei os olhos, empinei o nariz e segui para o lado direito da calçada ignorando o completamente, mas logo depois o ouvi ligar o motor e num piscar de olhos ele estava ao meu lado me acompanhando. -- Não vai falar comigo? – Ele perguntou, mas não respondi continuei caminhando. – Sabe nosso apartamento é um pouco longe. – Continuou ele. – Se quiser posso levá-la até lá. Parei virando o para fita-lo e o mesmo parou em seguida ainda montado em sua moto preta.
-- E como eu saberia que você não me sequestraria? Só para se sentir seguro de seus perseguidores? Ou que tentaria me molestar e ainda por cima com essas suas cantadas cafajestes e orgulhosas que você possui? – Perguntei. Julian passou a mão por seus cabelos e soltou um de seus risinhos irônicos.
-- Acha que eu faria isso? Tendo você como vizinha é mais que o suficiente para encobrir meu paradeiro. Mas pensando bem a parte de molestar-te... Bem que me agrada! Acho que entendo como Kain se sentia em relação a você e o porque de ele não resistir a tal pecado. Nossa! Não acredito que ele falou deste assunto de tal maneira, bufei e o deixei para trás voltando a caminhar, só que batendo os pés de tão puta que estava. Como ele ousa a falar assim do Kain, como se o conhecesse bem! Não sabe o quanto nós sofremos por conta de tal pecado e como sinto sua falta. Pensei que tinha me livrado dele, mas Julian apareceu novamente ao meu lado e agarrou meu braço, quando virei para fita-lo sua expressão parecia arrependida. Talvez fosse um de seus jogos, mas eu não consegui me soltar se sua mão, não por conta de força, mas por pena. Anjos sempre tem esse tipo de expressão? -- Me desculpe, acho que peguei pesado, venha eu a levo para casa. – Foi tudo o que ele disse. – Para compensar. Assenti e subi na moto. -- Se segure. Não o fiz, ele apenas deu partida na moto e arrancou e fui obrigada a abraçar sua cintura, eu sabia que aquilo não me mataria, mas que me machucaria, já que meu corpo ainda correspondia como o de um humano qualquer. Eu ainda não sabia bem o que eu era, agia e reagia como humana, mas não morro e sou um pouco mais forte que o normal.
Ao chegarmos no prédio ele me guiou até a porta ao lado do meu apartamento e a abriu, e fez sinal para que entrasse, poderia ser idiotice da minha parte mais acabei entrando se hesitar. Saphira você é realmente uma idiota entrar no apartamento de um anjo renegado, pois assassinou seu irmão covardemente, mesmo sendo imortal quer que ele arranje uma maneira de matá-la? Mas o apartamento não havia nada de diferente ou estranho, e não era muito diferente do meu, apenas tirando o fato que toda a tecnologia que existia ali era fascinante.
-- Farei um café – Disse Julian largando sua jaqueta no braço de uma poltrona e se dirigindo ao balcão na pequena cozinha que havia ali.
Me sentei no sofá preto de couro que havia ali, o apartamento não era estranho, mas parentava ser vazio, como se fosse um modelo de casa e não que alguém vivesse ali.
Após um tempo Julian trouxe duas xícaras de café e me entregou uma.
-- Espero que eu não tenha adoçado demais. – Ele se sentou ao meu lado e ligou a enorme TV.
Deu um gole no café, o que eu poderia temer? Um veneno? Um sonífero? Todas essas coisas com certeza não me matariam, mas para a minha sorte, o gosto estava normal e gostoso.
-- Obrigado, está bom assim. – Respondi, mas nesse segundo parecia que meu coração estava prestes a parar, pois algo que eu não esperava aconteceu, um sorriso se formou em seu rosto, isso poderia parecer normal aos olhos de qualquer pessoa. Mas para mim era diferente, pois não era um sorriso falso como os que ele sempre dá, de ironia quando está a brincar com meu juízo.
-- Aconteceu algo? Se perdendo em pensamentos.—Perguntou ele me olhando sem entender minha reação. Apenas me acalmei e continuei a tomar meu café e assim que o terminei me pus de pé.
-- Já está na minha hora, obrigado pela carona e pelo café. Seu apartamento é lindo... – Julian puxou minha mão me fazendo cair sobre seu colo e tampou minha boca com a outra, sua força era inacreditável, quase havia me esquecido que era um renegado.
Ele fez sinal para que eu ficasse quieta e soltou minha boca, franzi o cenho sem entender o que estava acontecendo, e já pensando que era um de seus planos para me importunar. Mas seus lábios se mexeram e o que apenas pude entender foi “caçadores". Depois de ficarmos um tempo quietos senti seu corpo relaxar e foi quando percebi que ainda estava sobre ele, e me pus de pé rapidamente.
-- Eles me acharam. – Conclui ele. – Estavam em seu apartamento agora, sentiram meu cheiro lá.
-- O que devemos fazer? Meu cheiro não devia mantê-los afastados? – Perguntei.
Julian levantou se e foi em direção à porta da sala e a trancou, e saiu fechando todas as janelas.
-- Sim, seu cheiro esconde o meu, mas a partir do momento que está ao meu lado, e pelo que vi a distância de um apartamento para o outro não os impediram de me achar.
-- O que você quer dizer com isso. – Perguntei perplexa, ele estava dizendo que eu teria que ficar 24hrs com ele?
-- Estou dizendo que você vai se mudar para cá. – Julian Ligou o ar condicionado já que havia fechado o apartamento inteiro.
-- Não vou correr o risco de me acharem, e além do mais, eles sentiram meu cheiro lá, e sabem que eu devo ter alguma ligação com a pessoa que mora naquele apartamento, isso é, você estaria em perigo também. – disse ele.
A forma como ele fala, é como se realmente se preocupasse com a minha segurança, mas na verdade deve ser por precisar encobrir seus rastros.
-- E se eu não concordar com isso? – Cruzei os braços tentando parecer forte e determinada a não aceitar tal condição.
-- Matarei você, e procurarei pelos 4 cantos do mundo, e em outros mundos até encontrar Kain, e darei um fim a vida dele também. Não temos Alma, se morrermos sumiremos de vez. Imagine um mundo onde o seu Kain não existisse e...
-- Cala a boca! – Gritei, já caindo em lágrimas, não gostava da forma que se dirigia a ele. Julian apenas virou de costas indo em direção ao quarto.
-- Você pode dormir no quarto, dormirei no sofá. – Disse ele e voltou apenas com um travesseiro. – Ficarei aqui assistindo TV. Boa noite. Amanhã traremos suas coisas com segurança para cá.
Não disse nada, apenas fui para o quarto e tranquei a porta. Após tantos anos, minha vida está novamente entrando nessa guerra incansável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário