Não, eu não era uma celeste nem nada do tipo, era apenas uma humana de 17 anos de uma família pobre, uma camponesa, mas hoje sou imortal pagando por um erro que cometi um pecado. Eu era jovem, e me apaixonara por um rapaz de classe, lindo e elegante que sempre vinha de passagem me ver, todos os dias exatamente quando eu estava a correr pelos campos de lavanda e me escondendo pelas árvores daquela densa floresta. para mim tê-lo ali era tão bom que aos poucos estava começando a me apaixonar por ele enquanto ele me dizia que foi amor a primeira vista, eu só não sabia quando foi a primeira vez que me vira.
Seus olhos azuis era um mar de amor e ternura estava totalmente envolvida naquele sentimento, mas sempre quis saber a verdade sobre onde vinhas, quem era sua família entre essas coisas, pois suas respostas sempre foram vagas. Todos os dias, na mesma hora no mesmo lugar perto de uma cachoeira passávamos a nos encontrar, com a vida difícil que eu tinha, aquele era o melhor momento do dia. Mas a sua história sempre me incomodava então um dia após bastante tempo de insistência ele me contou a verdade, mas antes me fez prometer que não sentiria medo e que nem fugiria do mesmo, e também que guardaria segredo. Eu estava disposta a fazer tudo por ele. Então como presente de aniversário de 19 anos ele me contara que era um anjo e que me vira desde que era uma criança de colo e que meu olhar o havia fisgado. Se eu senti medo? Suas palavras doces não me deram a chance de sentir nada, seus braços me prenderam a si tão calorosamente que meu corpo não pensou em fugir, e ali estava um anjo e uma humana se consumindo, pecando por amor.
As coisas fugiram um pouco do meu conceito de nova vida, o jovem rapaz que eu esbarrara e que eu sentira sua aura, na verdade era Julian, já ouvira falar dele, mas nunca tinha visto sua face. Ele não é nada mais, nada menos que o anjo pelo qual matou covardemente seu irmão, um guardião respeitado. Mas achava que sua punição fosse cair, se tornar um caído. Mas ontem ele me dissera que estava preso a esse mundo igual a mim. E que és caçado por ambos os lados. Mas isso não me importa, não pretendo fazer amizade com ele e também o mesmo não é uma pessoa sociável pelo que percebi, era arrogante e orgulhoso e no fim estava a zombando-me por maldade. Sabia que eu matara mais um homem na Itália e estava disposto a jogar na minha cara tal acontecimento.
Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha indo em direção ao meu quarto e sentando-me na ponta da cama.
Preciso mantê-lo longe, assim não me meteria em encrencas. Lembrei me de que esbarrei com ele no elevador do prédio e isso não era bom, já que agora ele também sabe que moro aqui e que trabalho naquele bar.
Suspirei cansada só de pensar no que faria para me livrar desse problema, mas ouvi um barulho de porta se abrindo de forma rude vindo da sala, fui em direção a porta do quarto, mas hesitei em abrir, meu coração estava disparado e estava um pouco desnorteada, por mais que eu já soubesse que quem quer que entrasse não me faria mal algum, eu estava de toalha e isso seria bem embaraçoso.
Dei um passo para trás voltaria ao banheiro e vestiria alguma coisa, tranquei a porta do quarto devagar para que não fizesse barulho e estava preste a me virar quando a porta se abriu e Julian apareceu com um sorrisinho cafajeste em seu rosto, ao me ver arqueou uma das sobrancelhas e entrou no quarto mexendo na minha cômoda. Fiquei boquiaberta sem saber o que fazer, a única coisa que crescia em mim era raiva e acho que isso estava estampado em meu rosto, pois Julian virou se e disse.
-- O que foi? É sua porta? Desculpe, não tinha a intenção de quebra-la. Mas a culpa é sua por trancares tanto esta como à da sala.
Não disse nada apenas continuei o encarando.
-- Ah sim. – ele falou como se tivesse entendido a charada e apontou para minha toalha. – Está nervosa porque estou vendo a assim? – Ele sorriu e começou a se aproximar de mim. Mas eu recuava, mantendo distância, mas isso fez com que seu sorriso aumentasse e soltasse um riso.
-- Não se aproxime. – Consegui dizer algo, ele ignorou meu aviso. Então disse com mais convicção. – Estou falando sério.
Julian agarrou meu pulso como fizera da ultima vez, e me puxou bruscamente para o lado e em seguida me jogou na cama.
-- Olha como falas comigo, tenha em mente que sou um assassino impiedoso, e arranjar uma maneira de matá-la, mesmo que eu tenha que percorrer todos os mundos para mim isso não é nada. – Ele me encarava friamente enquanto firmemente agarrava meu pulso a ponto de doer e alisava minha coxa com as pontas dos dedos, os mesmo foram subindo até encontrar meus lábios. Naquele momento estava com tanta raiva, que suas palavras não me afetaram em nada, e mordi seus dedos sem dó nem piedade. O mesmo se afastou com o choque da dor.
Me pus de pé, forçando uma calma que não existia em mim naquele momento.
-- Não tenho medo de ti, apenas diga o que queres e se estiver ao meu alcance eu o farei e então sumirá de minhas vistas.
Julian que estava massageando seus dedos parou e sorriu como se achasses graça.
-- Não sabia que tinha tal força, e falando desse modo até parece que és capaz de se livrar de mim. – E então sentou se na cama e cruzou as pernas como se estivesse em casa, apoiando os braços na cama para poder me fitar melhor.
-- Se queres mesmo saber o verdadeiro motivo pelo qual estou atrás de você, irei dizer. Enrolar para que, não é?
Revirei os olhos.
-- Então diga.
Ele negou com a cabeça.
-- Só direi depois que me beijaste.
-- Sem chance!
Ele bufou e sorriu e levantou as mãos para que me acalmasse.
-- Brincadeira vai que cola? – Ele esperou que eu dissesse alguma coisa, mas não fiz. – Tudo bem, o motivo pelo qual estou aqui é apenas porque descobri que seu cheiro esconde o meu assim seria mais seguro para mim, me livrar daquelas coisas inconvenientes que estão atrás de mim. – Ele disse por fim.
Agora tudo fazia sentido, mas eu não sabia que meu cheiro tinha tal poder, já que não era mais humana no fim das contas, então não duvidava de mais nada.
Julian se levantou e passou pela porta do quarto.
-- Vou embora, acho que você não se trocaria na minha frente. – Ele mordeu o lábio enquanto me olhava ironicamente. – Não pense em fugir de mim, agora que sei sobre tal poder não te deixarei ir facilmente.
Assim Julian saiu do meu apartamento, me joguei na cama ainda perplexa com o que havia acontecido e sabia que isso tinha muita coisa pela frente, e que no fim eu iria me ferrar como sempre.

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