O homem coçou a barriga.
-- Oi eu sou Alexia, estou aqui para a entrevista de emprego.-- Entre. – disse.
As cadeiras do estabelecimento estavam de cabeça para baixo nas mesas e as mesas de sinuca tampadas com panos azuis, o local tinha cheiro de cigarro, e mesmo fechado ainda podia sentir um pouco da fumaça densa da noite passada.
A minha direita havia um enorme balcão e atrás dele vários tipos de bebidas existentes no mundo e a minha frente havia um palco improvisado, onde estavam instrumentos necessários para qualquer banda de rock. O rapaz barbudo fez sinal com a cabeça para que o seguisse.
-- Como está vendo ali é o balcão, vendemos fichas para as mesas de jogos, se preocupe apenas em receber o dinheiro, Tony é o encarregado das apostas.
Assenti enquanto falava e arqueei uma das sobrancelhas.
-- Fala como se eu já estivesse contratada. – Observei.
Depois de passar por um ambiente cheio de almofadas enormes jogadas pelo chão e o cheiro forte de fumaça, chegamos a uma pequena sala, o rapaz passou para atrás da mesa que havia ali, e me sentei em sua frente.
-- Não somos muito de fazer seleções aqui, e como percebeu esse não é um emprego muito concorrido.
-- Ah sim. Então quando começo?
-- Hoje. – respondeu ele retirando um papeis de uma gaveta e pondo a minha frente junto com uma caneta. – Assine aqui, e está oficialmente contratada.
Depois de assinar tudo que tinha direito me pus de pé e apertei sua mão.
-- Obrigado Senhor...?
-- Colin. – respondeu.
- Colin, obrigado.Sai do estabelecimento com uma boa sensação, seria difícil, mas reconstruir uma nova vida não estava tão longe de meu alcance alias... Já havia me acostumado com as mudanças repentinas. Tal pensamento me fez cair em uma profunda depressão, toda a minha existência, todas aquelas mortes, minhas mãos eram sujas por conta de um pecado no qual fui severamente punida. Sacudi a cabeça para esquecer tal pensamento, agora sou Alexia Hosting, e hoje estou começando minha nova vida. Mais uma vez.
Precisava me adaptar a minha nova condição então passei o resto da manhã fazendo compras, roupas, botas, maquiagem. Coloquei três piercing em lugares diferentes e até fiz uma nova tatuagem. Agora me via mais como uma roqueira viciada do que uma Top Model de Veneza. Quando me dei conta do tempo já estava escurecendo, olhei para o relógio e já eram 18:00 da noite, corri para o bar, pois começava hoje mesmo.
Chegando lá não havia uniforme apenas vesti uma das calças jeans pretas que havia comprado e uma blusa da mesma cor. Estava no clima. Depois de mais um longo tutorial com Tony um rapaz todo tatuado, magrela e careca, já eram quase 20:00 e o estabelecimento iria abrir.
Estava ocorrendo tudo bem, até que um rapaz sentou em minha frente, não prestei atenção nele.
--Deseja alguma coisa? – Perguntei enquanto secava um dos copos e colocava junto com os outros.
-- Sua atenção. – respondeu deu ele, sua voz enigmática, forte e celestial, como um guerreiro, arrepiei até a espinha, o que me fez subir o olhar e dá de cara com ele, novamente.
-- O que faz aqui...
-- Julian. – ele me interrompeu.
-- Julian, quem diria. – Repeti seu nome, pois já ouvira falar dele.
-- Quem diria digo eu, nunca pensei que em toda a minha existência encontraria a condenada Saphira.
Não tive outra reação a não ser tampar sua boca e lhe lançar um olhar severo. -- Me espere lá fora quando sair daqui. Se não for pedir nada, por favor não atrapalhe estou em meio a meu trabalho. -- Assim ele me deu as costas e foi para uma das mesas de sinuca. Ignorei sua presença totalmente e apenas me concentrei no que estava fazendo. No fim ele já havia ido embora. Juntei minhas coisas, me despedi do pessoal e sai porta a fora, a madrugada estava serena e no céu dava para ser ver as estrelas, em pensar como elas mudaram... Meu coração disparou quando uma mão veio de beco escuro me puxando para dentro do mesmo, mas era Julian.
-- Me solta! – eu disse. – Porque você simplesmente não me esperou do lado de fora? Tinha que fazer tal graça?
-- Também és encrenqueira assim como ouvi falar. – Ele revirou os olhos e começou a falar o que me estremeceu. – Então causaste mais uma morte. – ele riu. – Realmente parece que não aprendeste que o seu destino é a solidão? Mas com esta sua beleza é de se admirar que se apaixonem por você. Sa-phi-ra...
-- O que quer de mim, Anjo. – disse irônica. – Me matar? Me desculpe desapontá-lo, mas isso será impossível, já que conhece minha história, tem isso em mente. Caído.
Julian continuou sorrindo, me pegou pelos pulsos e me prendeu contra parede.
– Sente esse cheiro? Não sou um demônio... – o mesmo desceu seu rosto levando seus lábios até meu ouvido, então começou a sussurrar. – Pelo incrível que pareça não decai a esse nível, meu castigo foi pior, posso dizer que foste igual ao teu em termos de estar neste lugar depressível, mas tendo de ser caçado por tantos os dois lado.
Seu olhar se fixou ao meu, então era verdade o que eu ouvira sobre ele, que não eras mais anjo celeste, mas também não caíste, foi castigado vagar por esse mundo, assim como eu.
-- Me solte. – repeti – Não quero mais conversar por hoje.
Seu aperto afrouxou e sai de suas mãos ruma ao caminho de casa, deixando aquele beco e Anjo para trás.

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